Como conseqüência do avanço do sistema de produção capitalista, a realidade no âmbito da contemporaneidade se tornou massiva. Adotando a política do consumo desenfreado, podemos observar com muita clareza que tudo que nos rodeia (e por que não: tudo o que nos faz ser como somos) tem um prazo de validade culturalmente estabelecido.
Essa mudança no sistema de produção é potencializada e abrange outros aspectos de nossa realidade quando toma dimensões que vão além da produção-consumo. As relações pessoais, sobretudo, estão cada vez mais inseridas na ideologia de envelhecimento pré-determinado.
O avanço da pós-modernidade não apenas introduz novos brinquedinhos em nossas mãos, mas transforma o modo como entendemos o mundo, como nos adaptamos as necessidades criadas e como somos afetados pelo pensamento adjunto a essas transformações.
Tratando mais especificamente do modo como as pessoas se relacionam, percebemos que, assim como produtos, as gerações e suas manifestações culturais vão perdendo sua validade. A geração da conversa em bar, conversas em locais públicos vem sendo substituída violentamente (em questão de não ser uma mudança gradativa) pela geração da tecnologia. A cada novo aparelho, interface ou aplicativo lançado, nos é imposto uma série de novas nomenclaturas, rituais, modos de agir e pensar. As formas de socialização são transformadas com as tecnologias, e atualmente necessitamos de telefones celulares, redes sociais online e suas ideologias para mantermos como um bloco social comunicativamente ativo.
Além das mudanças da revolução tecnológica dos anos 2000 terem atingido toda a esfera global, os não adeptos a esse novo padrão cultural de curta validade são cada vez menos participantes dos grupos sociais. Reuniões, encontros, comemorações e até mesmo simples conversas dependem de aparatos tecnológicos, o que, de certa forma, exclui todos os não adaptados às novas tecnologias.
Por outro lado, é muito claro que essas novas tecnologias auxiliam e resolvem muitos problemas que não sabíamos resolver no passado, contudo, é necessário estudar a fundo as conseqüências da revolução tecnológica, os seus impactos na sociedade e, acima de tudo, o que mais além de facilidades e soluções está adjunto (padrões culturais impostos, mudanças comportamentais, criação de novas necessidades) a ela.
Lucas Ferreira Piccoli
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
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